Em Miami, a transição cubana também já começou
“Fidel já morreu, ou então é para logo, o resto é bobagem.” Pedro fala alto, com seu porte avantajado e um gosto pronunciado pelos cigarros americanos.
Como praticamente todas as noites, esse banqueiro que está perto de se aposentar senta-se ali, diante do Café Versailles, um dos melhores restaurantes cubanos da Calle Ocho, a 8th Street, eixo principal do bairro Little Havana em Miami. Um ponto de encontro inevitável para os “velhos” como ele, os cubanos no exílio que fugiram da revolução castrista de 1959 e que hoje dão a impressão de ter vivido somente na esperança de saborear esse momento histórico.
Pedro lembra-se da festa, nesse mesmo lugar, na noite de 31 de julho de 2006 depois do anúncio dos problemas de saúde do líder cubano. Eram muitos, segundo ele, que vieram espontaneamente à rua para deixar explodir sua alegria. Desde então Pedro aguarda, apenas contrariado pela evolução em Havana, onde Raúl Castro se instalou na poltrona de seu irmão há seis meses.
“Ele não vai agüentar, é fraco demais. Vai haver levantes e nós os ajudaremos.” Ao redor dele, o pequeno grupo de homens concorda educadamente com o chefe. “Nós” são os anticastristas da linha-dura, a extrema-direita cubano-americana sempre pronta a imaginar uma intervenção na ilha para derrubar o regime odiado.
Continua…
Diante disso tudo, faço o seguinte questionamento: AFINAL, OS CUBANOS QUE AINDA MORAM EM CUBA QUEREM ESSA TAL TRANSIÇÃO? SERÁ QUE ELES JÁ NÃO TERIAM IDO EMBORA SE O REGIME OS DESCONTENTASSE?
E também faço um convite aos cubanos de Miami: venham ao Brasil dar um passeio, e ver o que é não ter saúde básica, coisa que em Cuba eu sei que tem… Verão também crimes bárbaros (olhem os jornais brasileiros dessa semana), coisa que não ouvi falar em Cuba. E o Brasil é um país capitalista, com uma economia que tem crescido ano a ano. Cuba nunca será como os E.U.A.
“Esta revolución és eterna.”