Recomeço?

27 Dezembro 2007

 

Receita de ano novo – Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

 

Não adianta jogar os erros pela janela; você tem que fazê-los descer degrau por degrau. 


Beleza natural

21 Dezembro 2007

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Poucas coisas nesse mundo podem se dar ao luxo de serem bonitas naturalmente.


A terceira margem do rio

21 Dezembro 2007

“Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia.”

Morrer é renascer do outro lado.


Ciência & Religião – I

17 Dezembro 2007

A escassez de nossas fontes de energia e recursos naturais nos forçaram
a abandonar a forma humana como a conhecemos hoje. Para um melhor
aproveitamento da energia, nos tornamos seres da mais pura energia e sem
matéria.

A ciência tinha evoluido, de tal forma, que a magia e espiritismo era
apenas pequenas manifestações adquiridas durante o tempo, entretanto,
algumas coisas nunca mudam.

A religião, outrora considerada antepassada e infundada, se tornou
ciência: haviam fanáticos e nos lugar dos dogmas, passamos a provas
matemáticas e o caos se instaurou no que ainda denominavamos como
Terra.

A ciência anglo-saxônica confrotava suas teorias com a tão poderosa
ciência mongólica(?) milenar oriental, que por sua vez ameaçava o posto
secular de dominação do momento. Existia também um pequeno grupo que oscilava suas
tendências e pesquisas entre a bipolaridade do conhecimento científico,
mas a diferença desse grupo foi publicar um artigo teorizando a
“Liberdade Energética Perante o Caos Da Vida Sem Futuro”, que
basicamente dizia que seria mais justo se as fontes de conhecimento
e energia fossem iguais para todos.

O lançamento desse artigo quase causou a quadragésima-quarta guerra
mundial e deu início ao que se chamou de “Guerra em banho-maria
temperado com azeite”, que praticamente foi a privatização das formas de
energia sustentáveis e o ocultamento do que se era pesquisado então.

Houve uma grande manifestação, pois era evidente que algo não
estava certo e que algo de ruim aconteceria em breve: os manifestantes
pediam por esclarecimentos, por derivadas parciais e ecossistemas
nanométricos. A resposta foi imediata, os grandes líderes se reuniram e em um ato
soberano e pacificador, redigiram sobre a superfície terrestre em fontes
serifadas: “Morram, seus merdas!”.

Era evidente, o mundo não seria mais o mesmo em breve e como já disse,
algumas coisas nunca mudam.


Conversa de Bar – I

14 Dezembro 2007

Barzinho, cerveja, amendoinzinho… é aquela coisa de sempre. E por incrível que pareça, quando homens sentam pra conversar, o assunto é mulher. Mas, este é o caso da tentativa de se falar em algum assunto diferente…

Para tentar preservar o pouco que sobrou do orgulho desta pessoa, manteremos sigilo absoluto sobre a identidade do sujeito. Nem adianta mandar e-mails pedindo, porque ele será – praticamente – um sujeito oculto.

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fonte

- Cagar é um ato divino.

- Com certeza. Só não gosto do nome. Sei lá, tipo sexo, o nome é bonito e tal… agora cagar é tão bom quanto meter mas o nome não ajuda muito.

- Existem muitos nomes para o ato…

- Tipo?

- Defecar.

- Igualmente podre. Científico demais…

- É, científico demais.

- Ah perae! Porra, você pode dizer que vai dar um trato na porcelana, que vai matar uma raposa, que vai sentar no trono. Se o problema era esse, tá resolvido.

- Eu tenho um nome melhor!

- Diga então…

- Lá vem bosta, literalmente…

- Eu acho que deveria ser bulimia alcoólica anal.

- Hahahahahaha!!!!! Pq?!

- Putz, eu falei que vinha merda…. hahaha

- Sei lá, cerveja me dá vontade de cagar…

- Porra cara, bulimia é doença. E cagar é saudável. Costumo dizer que quando a gente caga, a parte boa da gente vai embora…

- Hahhahahaha. Com certeza.

- Sei lá, eu achei legal esse nome…

(algumas risadas e um breve silêncio depois)

- Então quer dizer que quando você vai cagar você enfia o dedo no cú? hahahha!

- Não!!! Não!!! Que isso ow!!! Sai pra lá!!! Porra, você é foda! Você entendeu a analogia, vai?!

- O que eu tô entendendo é que você é um viado, mas só se toca disso quando vai cagar, huahuahuhauha!

- Acho que você não tá entendendo. Ele não enfia o dedo no cú, mas sim uns vegetais mais bem dotados, hahahaha!

- Ahhh, vão se fuder todos vocês…

- Calma, calma!!! Hahaha… essa foi foda…

- É. Hahuhaua, somos muitos retardados, isso sim…

- Acho melhor a gente falar de mulher vai…

- É também acho! Huhauha

- Será que aquela ali tem bulimia?

- Putz!!!!


Perseverança

6 Dezembro 2007

 

 

 

 

 

 

Se perseverança fosse droga, estou completamente careta hoje…