Boa tarde!
Umas duas noites atrás, tive um sonho bizarro, de tanto sentido que tudo fazia (isso não é uma coisa muito comum para mim…), que até resolvi contar para vocês:
A festa na casa do Roberto tinha sido muito divertida: pude rever amigos antigos da faculdade, relembrar histórias engraçadas, falar dos que não foram e dos que já se foram… Saí de lá com as baterias recarregadas.
Já passava das duas da manhã, e eu talvez tivesse passado dos limites de cuba-libre naquela noite, mas o suficiente para dormir bem, como diria meu avô.
Estava me sentindo feliz pela casa nova, era do jeito que eu queria: arquitetura do século XIX, muito bem restaurada nos seus tons de pêssego. Muita gente passara por ali, e agora eu podia contemplar belos momentos naquele local. Não posso negar que no fundo, depois do jardim de inverno, tinha um quarto de velharias, o qual eu precisava prganizar e dar fim em alguns pertences dos antigos moradores.
Cheguei. Liguei a televisão. Deitei no sofá, mais macio que o da casa das avós, senti o corpo pesar e acabei adormecendo.
Acordei, num sobressalto, com um coro de vozes femininas conversando alegremente; curiosa, baixei o volume da TV e caminhei em direção ao barulho: o jardim de inverno. Para minha surpresa – ou quem sabe, meu grandissíssimo espanto – havia três mulheres sentadas no banco de praça, duas mais velhas (uma bem mais e a outra menos) e uma jovem, muito bonita ainda, embora fosse bastante triste:
- Áurea, Maria do Carmo, vocês não imaginam como fui feliz nesta casa! – disse uma das mais velhas.
- Pois é, Poliana; lembro de ver a animação das crianças e o bom tratamento que seu esposo lhe dispensava. – disse Maria, a mais velha de todas.
- Também fui feliz aqui, pena que tenha durado tão pouco… – disse Áurea, a mais jovem, com um cinza no olhar de quem não tinha vivido como queria.
Não sei porque, minha atitude ao ver esta cena foi apagar as luzes do jardim,
para espantar aquela visita inesperada, no calor da minha sensação de invasão territorial. Em vão: como um feixe de luz que se apaga e surge novamente em uma fração de segundo, elas reapareceram ao meu redor! Elas andavam em minha volta e diziam:
- Você não nos quer aqui? – disse Poliana.
- Não podemos ir sem antes terminar o nosso dever! – disse Maria.
- Sim, vamos eliminar o que deve ser eliminado – disse a jovem Áurea.
Ouvi isso, e tive certeza que eu deveria ser eliminada, para que elas morassem na casa pela eternidade… Senti o corpo pesar novamente.
Acordei. Televisão ligada, sol batendo sem piedade no rosto, e a ressaca batendo sem piedade no corpo todo…
- Ai que noite péssima! – pensei alto.
Sem pensar duas vezes, fui direto ao jardim de inverno. Lá encontrei apenas um bilhetinho escrito em papel envelhecido:
“Vá ao quarto de velharias”
Obedeci prontamente; precisava saber se aquilo era obra dos meus sonhos, ou da minha embriaguez.
Nunca a minha respiração ecoou tão alto em um cômodo de casa.
Milhares de beijos e bom resto de semana!!!!