Quem regula, regula alguma coisa…

* Atenção: post especulativo, se não for pra ser construtivo, vá pescar *

Muito, mas muito já foi falado sobre a regulamentação das profissões da área de informática. Se você procurar, encontrará centenas de outros posts relacionados, todos com suas opiniões e idéias sobre o assunto. E esse é mais um.

Mas, antes de começar a falar da minha profissão, falarei de outra que não é regulamentada: a do político.

Pensando friamente, sem hipocrisia, o político deveria ser regulamentado também. “Mas não existe curso de política !” – Alguns poderiam pensar. Bom, também não existe curso para ser ladrão e infelizmente existem muitos por aí – sem qualquer referência cruzada…

Particulamente, considero os da ciências sociais mais habilitados nessa área. Ou seja, são aqueles que de uma forma ou de outra, desenvolveram maior competência sobre o assunto. Mas, isso forçaria os políticos a ter formação superior para exercer qualquer cadeira política. Que coisa não ?

Por questões históricas, a política nunca poderá ser regulamentada. Basicamente, porque uma premissa da política é a participação do povo – basta ser cidadão. Mesmo assim, gostaria de propor uma idéia bem simples, o político só poderia exercer um cargo que fosse proporcional à sua experiência, tendo como “portão” de entrada um exercício em qualquer repartição pública. Assim, para ser prefeito é preciso ter trabalhado, por exemplo, como secretário em alguma outra prefeitura e assim por diante nos demais cargos.

Apesar disso fazer algum sentido, não é o bastante. Ser formado ou ter experiência não garante competência. Para isso não existe fórmula mágica, só amor pela profissão, dedicação e oportunidade. Agora, entra a parte da regulamentação da minha profissão.

Boa parte dos meus colegas de profissão são a favor da regulamentação e um dos argumentos mais usados seria a idéia de assegurar um nicho no mercado de trabalho que supostamente estaria nos esperando de braços abertos e que “outros” poderiam nos roubar. Eu não acredito nisso. Mas existem muitas excessões e até pode ser que em outras profissões isso faça sentido, mas na minha não faz.

Para tornar um pouco mais claro, vou dividir minha área de trabalho em duas: técnico e pseudo-administrativo. A primeira é a mais comum no folclore mundial sobre o “computero”: é o típico nerd. O segundo é aquele que faz a ponte entre as pessoas normais e os nerds. Pela sua natureza, o segundo grupo concorre com engenheiros, admnistradores de empresa e todos eles tem essa característica de “ponte” mesmo.

Resumindo, não faz sentido regulamentar a profissão para o segundo grupo. O máximo que aconteceria é uma briga entre os conselhos de cada profissão, cada um exclamando por seus direitos e no final, a empresa contratante é que decidiriá. (Alguns conselhos fazem acordos para conseguir que seus afiliados sejam empregados ou que possam concorrer ao emprego, mas isso é outra estória.)

Para o primeiro grupo, o dos nerds também não faz sentido regulamentar. Como a profissão do político existe uma premissa de você ser cidadão para atuar na área, no grupo dos nerds é preciso ser nerd.

Se você perde a vaga é porque você não é o nerd certo ou não é tão nerd. Não tem outra desculpa. Se o cara tem formação ou não, é outra história. O fato é que sua formação não garante competência. E acredite, alguém não formado pode ser muito mais compentente que você.

Eu sei. Dói. E existem muitos outros pontos que poderiam ser discutidos sobre a profissão e a lei. Mas, acho que a competência SEMPRE deve ser a base de avaliação sobre algo do gênero. Infelizmente não existe uma maneira segura e justa de mensurar competência, mas o que estão tentando fazer é impedir qualquer competência e nivelar tudo por baixo. Como um apaixonado pelo meu trabalho, vejo isso só manchando a profissão: “É muito fácil falar mal quando nada funciona, mas é muito difícil agradecer quando funciona…”.

Conclusão final: não me importo. Sendo mais claro, FODA-SE a regulamentação.

Deixe um comentário